Do tempo em que pra cantar era preciso ter talento.

Nesta geração, cabelos e roupas eram segundo plano.



Cada gênero musical é feito pra quem gosta, assim como cada religião é feita pra quem nela acredita e cada revista e feita pra quem quer ler o assunto que ela trata. Quem gosta de mulher pelada compra "Playboy", e quem gosta de carros compra "Quatro Rodas". Ninguém compra a Quatro Rodas pra ver mulher pelada. A música é a mesma coisa, cada gênero tem seu público, seus adeptos, fãs e admiradores. Com a chegada da Festa do Peão de Oliveira vi algumas pessoas discriminando os artistas sertanejos que compõem a festa do peão. E aí eu me pergunto, discriminar por que?
Abro aqui um questionamento: onde está o pecado do cantor sertanejo? Em que ponto ele é criticável? A música sertaneja tem seu conteúdo, fala de amor por que é feita pra quem quer ouvir canções de amor, e os shows que eu fui - Bruno e Marrone e Zezé di Camargo e Luciano - têm canções maravilhosas que tratam deste assunto, letras bem compostas, enfim, uma boa música.


O sertanejo tem músicas ruins, todo gênero tem suas ruins e suas boas. Até o funk que eu não aprecio tem a música do Silva que era funkeiro mas era pai de família, que é linda.
Quando digo sertanejo, porém, estou falando da geração Bruno e Marrone pra trás, com raríssimas exceções nos últimos anos. Posso até parecer hipócrita agora, mas essa lamentável nova geração de cantores que se denominam sertanejos são discrimináveis. Cantam músicas sem letra, com refrões que não constam no dicionário do grande Aurélio Buarque, e mancham o gênero composto por Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Daniel, Bruno e Marrone, Zezé e Luciano, enfim, todos estes cantores que estão há tantos anos com carreiras sólidas e de sucesso por que são talentosos, e a voz que têm não é feita por um afinador eletrônico, a voz desses grandes cantores é de um talento natural, nasceram com elas, do contrário não estariam ali. São do tempo que pra cantar era preciso ter talento, trazer a voz de berço e garantir seu espaço com muita luta. Estes não fazem parte da vergonhosa geração de supostos cantores que fazem fama com uma letra modinha, um cabelo legal e uma roupinha diferente, sem nenhuma essência, e que dentro de alguns anos no máximo estarão esquecidos. Estas duplas são mais que uma musiquinha que diz "bará bará" ou "tchu tchá tchá". Quando analisamos a história de cada um desses artistas encontramos pelo menos 30 sucessos na sua conta. Sucessos como "É o amor" que todo mundo sabe a letra até hoje, e não como a "Fugidinha" que boa parte das pessoas já esqueceu que existe, e que só ofende o gênero.
Em suma e pra resumir: é claro que ninguém precisa gostar do que o outro gosta, cada um sabe o que lhe agrada,  mas não cabe preconceito contra o sertanejo, cabe preconceito contra quem ofende a música de modo geral, suja a arte de fazer música, o que não é o caso dos que defendi acima.

Por: Stevan Stavrakas
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4 Responses to “Do tempo em que pra cantar era preciso ter talento.”

  1. Sensacional!!! Texto super bem escrito, opinião forte, sem ser radical e uma ótima visão sobre a música atualmente. Independente do gênero, a música bem feita tem que ser respeitada! Sou cada dia mais seu fã, garoto!

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    1. Muito obrigado! E eu que sou seu fã... Continue acompanhando o que acontecer aqui!

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  2. Parabéns Stevan ...levantar a bandeira do "RESPEITO PELA OPINIÃO DE OUTRO" é uma demonstração de maturidade . Valeu

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  3. É muito bom ouvir opiniões fortes assim, realmente um ótimo texto sem ser extremista e com um bom tom formal

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